Modelo em branco resolve metade do problema. A outra metade é saber o que escrever em cada linha, e é por isso que esta página existe: o guia do rider técnico explica o documento e entrega o esqueleto vazio, e aqui o mesmo esqueleto aparece preenchido, com os números de uma apresentação em formato de banda. A Banda Vista Larga é um exemplo, criado para esta página. As escolhas, não: são as mesmas que fazemos quando recebemos um show de outra cidade como produção local.
Exemplo preenchido
Rider técnico preenchido, os 15 blocos
Banda de cinco integrantes, casa para 800 pessoas, show de 1h40. Copie, troque os números pelos da sua apresentação e apague o que não se aplica. O arquivo baixa em texto puro, abre em qualquer computador e cola direto no Word ou no Google Docs antes de virar PDF.
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RIDER TÉCNICO
Banda Vista Larga, exemplo de cinco integrantes
Versão 04, de 06/10/2026
1. CONTATOS
Produção: [nome], [telefone], [e-mail]
Técnico responsável: [nome], [telefone]
Quem decide adaptação no dia: o técnico responsável
Único bloco que deixamos em branco no exemplo: contato é dado real, não ilustração.
2. FORMAÇÃO
Voz principal e guitarra base ......... 1
Guitarra solo e voz de apoio ......... 1
Baixo e voz de apoio ................. 1
Teclado .............................. 1
Bateria .............................. 1
Total no palco: 5 pessoas
Equipe que viaja com a produção: 2 pessoas, técnico de som e roadie
3. PALCO, MEDIDAS E ENERGIA
Palco mínimo: 8 m de boca por 6 m de profundidade, altura livre de 4 m
Praticável: 1 para a bateria, 2 m por 2 m, altura de 20 cm
Pontos de energia no palco: 4 em 110 V e 2 em 220 V
Aterramento: obrigatório em todos os pontos
Piso e cobertura: piso plano e nivelado, cobertura obrigatória em área externa
4. MAPA DE PALCO
Anexo 1. Desenho visto de cima, com a plateia na parte de baixo.
Bateria ao centro, sobre o praticável. Baixo à esquerda de quem assiste,
guitarra solo à direita, teclado ao lado do baixo, voz principal à frente, ao centro.
Os nomes e os números do desenho são os mesmos da lista de canais.
5. LISTA DE CANAIS (INPUT LIST)
Canal | Fonte | Microfone ou linha | Pedestal
01 | Bumbo | microfone de bumbo | pedestal baixo
02 | Caixa | microfone dinâmico | clamp
03 | Chimbal | microfone condensador | pedestal baixo
04 | Tom | microfone dinâmico | clamp
05 | Surdo | microfone dinâmico | clamp
06 | Ambiente esquerdo | microfone condensador | pedestal alto
07 | Ambiente direito | microfone condensador | pedestal alto
08 | Baixo | linha direta (DI) | sem pedestal
09 | Guitarra base | microfone dinâmico no amplificador | pedestal baixo
10 | Guitarra solo | microfone dinâmico no amplificador | pedestal baixo
11 | Teclado lado esquerdo | linha direta (DI) | sem pedestal
12 | Teclado lado direito | linha direta (DI) | sem pedestal
13 | Voz principal | microfone dinâmico de mão | pedestal reto
14 | Voz de apoio 1 | microfone dinâmico de mão | pedestal girafa
15 | Voz de apoio 2 | microfone dinâmico de mão | pedestal girafa
16 | Fala da produção | microfone dinâmico de mão | pedestal reto
Total de canais: 16
6. MONITORAÇÃO
Via | Quem usa | Equipamento | O que precisa ouvir
M1 | voz principal | retorno de chão | voz, guitarra base e bumbo
M2 | guitarra solo | retorno de chão | guitarra solo, voz e caixa
M3 | baixo | retorno de chão | baixo, bumbo e voz
M4 | teclado | retorno de chão | teclado, voz e bateria
M5 | bateria | retorno de chão ou side | voz, baixo e teclado
Total de vias independentes: 5
7. BACKLINE
O artista leva: guitarras, baixo, pedaleiras, teclado e fonte do teclado
Pedido ao contratante:
Amplificador de guitarra ......... 2
Amplificador de baixo ............ 1
Bateria completa, com pratos e ferragens ... 1
Banco de bateria ................. 1
Suporte e banco de teclado ....... 1
8. SOM DA CASA (PA)
Mesa: mínimo de 24 canais de entrada e 6 vias auxiliares
PA: sistema compatível com 800 pessoas, com cobertura homogênea da plateia
Operador de som da casa: sim, disponível a partir das 14h
9. LUZ
Mapa de luz: anexo 2
Refletores: 12 de luz branca, 8 coloridos e 2 de contraluz
Filtros: âmbar, azul e vermelho
Mesa de luz: com memória de cena, mínimo de 24 canais
Operação: equipe da casa, seguindo o roteiro escrito do anexo 2
10. VÍDEO E PROJEÇÃO
Não se aplica neste formato.
11. HORÁRIOS NO DIA
Carga e descarga: 13h, com 4 pessoas da equipe local
Montagem de som, luz e cenário: 13h30
Passagem de som: 16h, com duração de 1h30
Palco liberado antes da abertura da casa: 18h
Apresentação: 21h, com duração de 1h40
Desmontagem e saída do equipamento: 23h30
12. CAMARIM E HOSPITALIDADE
Camarins: 2, com espelho, ponto de energia e banheiro
Água: 12 garrafas sem gás, de 500 ml
Alimentação: jantar leve para 7 pessoas, servido às 19h
Toalhas: 7 de rosto
Restrições alimentares: 1 pessoa sem lactose, 1 pessoa vegetariana
13. EQUIPE LOCAL PEDIDA
Carga e descarga ..................... 4
Operador de som da casa .............. 1
Operador de luz ...................... 1
Apoio de palco durante o show ........ 1
14. CLASSIFICAÇÃO DE CADA ITEM
Indispensável: 16 canais, 5 vias de monitoração, amplificadores de guitarra
e de baixo, bateria completa, palco de 8 m por 6 m
Preferencial: mesa digital, retorno dedicado para a bateria, 2 camarins
Adaptável: marca e modelo dos microfones, cor dos filtros, praticável
da bateria, horário de carga
15. OBSERVAÇÕES FINAIS
A banda chega na cidade na véspera. O roadie acompanha a descarga.
Em palco menor do que 8 m por 6 m, avisar com 7 dias de antecedência
para refazer o mapa de palco.
Documento válido na versão e na data do topo.
Alterações somente por escrito, com o técnico responsável.
Cena 1Contato antes de tudo, e com um nome só
O primeiro bloco é o único que deixamos em branco no exemplo, porque telefone e e-mail são dado real e não ilustram nada. Mas a estrutura dele importa mais do que parece. Três linhas, e a terceira é a que evita a discussão do dia: quem decide adaptação.
Na prática, o que acontece sem essa linha é isto: falta um retorno, o produtor local pergunta no grupo, três pessoas da banda respondem coisas diferentes e a passagem de som atrasa 40 minutos. Com a linha, a resposta é uma. Escolha o técnico, não o artista, e escreva o nome.
Cena 2Formação: o número que o contratante usa para orçar
No exemplo, a formação não termina em cinco. Termina em duas linhas de total:
- Total no palco: 5 pessoas. É o que dimensiona o palco, a monitoração e o número de microfones de voz.
- Equipe que viaja com a produção: 2 pessoas. É o que dimensiona camarim, alimentação, hospedagem e credencial.
Quem orça lê o segundo número e soma sete pessoas, não cinco. Rider que informa só a formação artística gera jantar para cinco, duas pessoas sem comer e uma conversa desagradável às 19h. Separe os dois totais.
Repare também que cada integrante aparece com a função completa, não com o instrumento. Quem canta e toca guitarra precisa de microfone de voz e de canal de instrumento, e é a descrição dupla que faz a lista de canais fechar em 16 e não em 13.
Cena 3Medidas e energia: o bloco que evita o maior prejuízo
O bloco 3 do exemplo pede palco de 8 metros de boca por 6 de profundidade, 4 metros de altura livre, praticável de 2 por 2 para a bateria, quatro pontos em 110 V, dois em 220 V e aterramento obrigatório. Três detalhes dessa lista costumam faltar nos riders que chegam:
- Altura livre. Sem ela, ninguém confere se a estrutura de luz cabe. Em palco de festival a conta muda tudo.
- Voltagem separada por quantidade. Pedir apenas pontos de energia deixa a decisão para quem não sabe o que vai ligar. Pedir quatro em 110 e dois em 220 é um pedido que o eletricista cumpre sem perguntar.
- Aterramento. É o item que protege o equipamento do artista e o único que não aceita adaptação.
A medida mínima também é informação de negociação, não exigência cega. É por isso que o bloco 15 do exemplo diz o que fazer quando o palco é menor: avisar com sete dias para refazer o mapa. Com essa frase escrita, palco pequeno vira ajuste. Sem ela, vira problema na hora da montagem.
Cena 4Por que a lista fecha em 16 canais e não em 12
A lista de canais do exemplo é o bloco mais longo, e com razão: é o único que o técnico de som da casa lê linha por linha. A contagem se monta assim:
- Bateria, 7 canais. Bumbo, caixa, chimbal, tom, surdo e dois de ambiente. Bateria microfonada com menos de cinco canais existe, mas aí a decisão é da banda, não do local, e precisa estar escrita.
- Instrumentos, 5 canais. Baixo por linha direta, duas guitarras com microfone no amplificador, teclado em dois canais porque o som é estéreo.
- Vozes, 3 canais. Uma principal e duas de apoio, que são os dois integrantes que cantam e tocam.
- Fala da produção, 1 canal. O canal que todo mundo esquece e que sempre é usado, para anúncio de abertura, agradecimento ou aviso da casa.
Cada linha traz três informações: a fonte, o microfone ou a linha e o pedestal. A terceira coluna é a que mais falta nos riders que chegam, e é a que faz diferença no dia, porque pedestal é item que o local aluga em quantidade fechada. Rider que pede 16 canais sem dizer quantos pedestais vira duas viagens até a locadora.
Por fim, a numeração do exemplo é a mesma do mapa de palco, no bloco 4. Se o mapa chama a guitarra solo de canal 10, a lista também chama. Documento em que os números não conversam faz o técnico escolher um dos dois, e ele vai escolher o errado.
Cena 5Monitoração: via com dono e com conteúdo
O bloco 6 do exemplo não pede cinco caixas de retorno. Pede cinco vias independentes, e cada via tem duas colunas preenchidas: quem usa e o que precisa ouvir.
A diferença é técnica e muda o orçamento. Caixa é equipamento, via é saída de mesa. Dá para ter quatro caixas e duas vias, o que significa que dois músicos ouvem a mesma mistura, ou cinco vias com uma caixa cada, que é o que a banda do exemplo pede. Quando o rider fala em caixas, a casa entrega caixas e a mistura sai errada. Quando fala em vias, o técnico confere nas saídas auxiliares da mesa, que é onde o limite real está. Foi por isso que o bloco 8 pediu mesa com mínimo de seis auxiliares para cinco vias: sobra uma.
A coluna do conteúdo é o que permite ao técnico pré-montar a mistura antes da passagem. Voz principal pedindo voz, guitarra base e bumbo já é meio caminho pronto. Sem ela, a passagem de som começa do zero e consome o tempo que era para ensaiar.
Cena 6Backline em duas colunas, sempre
O bloco 7 do exemplo tem duas listas, e a separação é a razão de ele existir:
- O que o artista leva: guitarras, baixo, pedaleiras, teclado e fonte.
- O que é pedido ao contratante: dois amplificadores de guitarra, um de baixo, bateria completa com pratos e ferragens, banco de bateria, suporte e banco de teclado.
A segunda lista é literalmente o orçamento do contratante. Ele copia e manda para a locadora. Por isso ela está em quantidades, com um número no fim de cada linha, e não em texto corrido. E por isso pratos e ferragens aparecem escritos: bateria alugada chega sem eles com uma frequência que surpreende quem nunca passou por isso.
Note o que o exemplo não faz: não pede marca nem modelo. Marca entra no bloco 14, como item adaptável. Rider que exige um modelo específico de amplificador numa cidade onde ele não existe cria uma negociação que ninguém queria, no dia em que ninguém tem tempo.
Cena 7Horários: a parte que o espaço precisa aprovar
O bloco 11 do exemplo tem seis horários, das 13h da carga às 23h30 da saída do equipamento, e cada um com duração quando ela importa. Esse é o bloco que o espaço lê primeiro, porque é o único que conflita com a agenda dele.
Duas linhas desse bloco são as que mais economizam discussão:
- Palco liberado antes da abertura da casa, 18h. Define o fim da montagem sem precisar negociar durante a montagem.
- Carga e descarga com 4 pessoas da equipe local. Põe a quantidade de gente junto do horário, que é onde ela vira escala de trabalho e não pedido solto.
O exemplo pede 1h30 de passagem de som para 16 canais e 5 vias. Essa proporção é a que costuma caber: menos tempo com essa quantidade de canais só funciona se a banda já tocou naquela casa. Se o seu rider pede 45 minutos para 16 canais, o problema não é do local.
Cena 8A classificação: o bloco que salva a apresentação
O bloco 14 é o mais curto e o mais importante, e é também o que quase nenhum rider traz. Ele divide tudo o que foi pedido em três camadas:
- Indispensável. Sem isso, não tem show: os 16 canais, as 5 vias, os amplificadores, a bateria completa, o palco de 8 por 6.
- Preferencial. Melhora e deve ser tentado: mesa digital, retorno dedicado para a bateria, dois camarins.
- Adaptável. Pode mudar sem avisar: marca e modelo dos microfones, cor dos filtros de luz, o praticável, o horário de carga.
O ganho é de tempo e de clima. Quando o espaço não tem tudo, e isso é a regra e não a exceção, a produção local já sabe onde pode resolver sozinha e onde precisa ligar. Sem a classificação, qualquer falta vira telefonema, e telefonema no dia da montagem vira atraso.
Há um ganho comercial também, menos óbvio: rider com classificação passa a impressão de artista que já rodou. Documento que trata tudo como indispensável costuma ser lido como documento que não foi pensado, e o contratante começa a cortar por conta própria, escolhendo errado.
Cena 9Como salvar, nomear e enviar
O exemplo termina com duas linhas de validade: a versão com data no topo e o aviso de que alteração é só por escrito. Elas só funcionam se o arquivo também estiver organizado:
- Salve em PDF. Texto editável chega com a formatação quebrada em outro computador, e a lista de canais é justamente o que depende de alinhamento.
- Nomeie com artista, formato e versão. Algo como rider-banda-vista-larga-v04-06-10-2026.pdf. Nome genérico se perde na caixa de entrada de quem recebe vinte riders por mês.
- Anexe o mapa de palco e o mapa de luz como anexos 1 e 2, no mesmo arquivo. Separados, um dos dois não chega.
- Envie com antecedência de pelo menos 15 dias. Rider que chega na semana do evento vira aluguel de última hora, e aluguel de última hora custa mais.
- Peça confirmação por escrito do que o espaço tem e do que será alugado. É esse retorno, e não o envio, que fecha o assunto.
Somos o braço local de artistas, companhias e produtoras que levam show, espetáculo ou palestra para outra cidade. Recebemos o rider, conferimos bloco por bloco, cotamos o que o espaço não tem, dirigimos a equipe técnica da praça e respondemos por ela no dia, em qualquer cidade do Brasil. Se você tem um rider para conferir ou para montar do zero, mande para nós.
Luciana LeitteDirige a LL Cultural. Produtora cultural e estrategista de marketing, soma 17 anos de mercado, no marketing e na produção, entre shows, temporadas de teatro, festivais e eventos. Conheça quem dirige.
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