Quem já chegou num teatro ou num palco de festival e encontrou menos microfones do que precisava sabe o valor de um rider bem feito. O documento evita discussão no dia, deixa o orçamento do contratante mais preciso e mostra profissionalismo antes da primeira nota. Este guia mostra o que colocar, como desenhar o mapa de palco, traz um modelo de lista de canais e explica o que muda no teatro e na palestra.
Modelo pronto
Modelo de rider técnico em 15 blocos
Este é o esqueleto que usamos para montar e para conferir rider de show, espetáculo e palestra. Copie, troque o que está entre colchetes pelo que é seu e apague o que não se aplica. O arquivo baixa em texto puro, abre em qualquer computador e cola direto no Word ou no Google Docs antes de virar PDF.
Para baixar ou copiar com um clique é preciso ter o JavaScript ativo. Sem ele, selecione o texto abaixo e copie na mão, ou imprima esta página: o modelo sai em branco, pronto para preencher.
RIDER TÉCNICO [nome do artista, da banda ou do espetáculo] Versão [00], de [DD/MM/AAAA] 1. CONTATOS Produção: [nome], [telefone], [e-mail] Técnico responsável: [nome], [telefone] Quem decide adaptação no dia: [nome e função] 2. FORMAÇÃO [nome] ... [instrumento ou função] [nome] ... [instrumento ou função] [nome] ... [instrumento ou função] Total no palco: [número] pessoas Equipe que viaja com a produção: [número] pessoas 3. PALCO, MEDIDAS E ENERGIA Palco mínimo: [largura] x [profundidade] m, altura livre de [altura] m Praticáveis: [quantidade e medidas] Pontos de energia no palco: [quantidade] em 110 V e [quantidade] em 220 V Aterramento: obrigatório em todos os pontos Piso e cobertura: [o que o espaço precisa ter] 4. MAPA DE PALCO Anexo [número]. Desenho visto de cima, plateia na parte de baixo. Os nomes e os números do mapa são os mesmos da lista de canais. 5. LISTA DE CANAIS (INPUT LIST) Canal | Fonte | Microfone ou linha | Pedestal 01 | [fonte] | [microfone ou linha] | [tipo de pedestal] 02 | [fonte] | [microfone ou linha] | [tipo de pedestal] 03 | [fonte] | [microfone ou linha] | [tipo de pedestal] Total de canais: [número] 6. MONITORAÇÃO M1 | [quem usa] | [caixa de retorno ou in ear] | [o que precisa ouvir] M2 | [quem usa] | [caixa de retorno ou in ear] | [o que precisa ouvir] Total de vias independentes: [número] 7. BACKLINE O artista leva: [lista] Pedido ao contratante: [lista] 8. SOM DA CASA (PA) Mesa: mínimo de [número] canais de entrada e [número] vias auxiliares PA: sistema compatível com [público estimado] pessoas, cobertura homogênea Operador de som da casa: [sim ou não], disponível a partir de [horário] 9. LUZ Mapa de luz: anexo [número] Refletores: [quantidade e tipo] Filtros e gelatinas: [cores] Mesa de luz: [recursos mínimos] Operação: [equipe própria ou da casa, com roteiro escrito] 10. VÍDEO E PROJEÇÃO Telão ou projetor: [medida e posição] Entrada de sinal: [HDMI, SDI ou outro] e quem leva o cabo Conteúdo e quem opera: [nome] 11. HORÁRIOS NO DIA Carga e descarga: [horário], com [número] pessoas da equipe local Montagem de som, luz e cenário: [horário] Passagem de som: [horário], duração de [tempo] Palco liberado antes da abertura da casa: [horário] Apresentação: [horário], duração de [tempo] Desmontagem e saída do equipamento: [horário] 12. CAMARIM E HOSPITALIDADE Camarins: [quantidade], com espelho, ponto de energia e banheiro Água, alimentação e toalhas: [o que precisa] Restrições alimentares: [quais] 13. EQUIPE LOCAL PEDIDA [função] ... [quantidade] [função] ... [quantidade] 14. CLASSIFICAÇÃO DE CADA ITEM Indispensável: [sem isso a apresentação não acontece] Preferencial: [melhora, mas não trava] Adaptável: [aceita substituição equivalente, combinada por escrito] 15. OBSERVAÇÕES FINAIS [o que mais a produção local precisa saber] Documento válido na versão e na data do topo. Alterações somente por escrito, com o técnico responsável.
Cena 1Para que serve o rider técnico e quem lê
O rider é lido por pessoas diferentes, e cada uma procura uma coisa nele:
- O contratante ou produtor, que orça equipamento, equipe técnica e horário de palco a partir dele.
- O técnico de som, que prepara a mesa, os microfones, os cabos e a monitoração.
- O iluminador, que confere o que o espaço tem e o que precisa ser alugado.
- A produção local, que organiza carga, camarim, alimentação e a grade de horários do dia.
Cena 2O que vai dentro de um rider técnico
- Capa com contatos: nome do artista ou do espetáculo, data da versão, contato do produtor e do técnico responsável.
- Formação: quem sobe ao palco e com qual instrumento ou função.
- Mapa de palco: o desenho de onde cada pessoa e cada equipamento ficam.
- Input list: a lista de canais de som, com o microfone ou a linha de cada um.
- Monitoração: quantas vias de retorno, de que tipo e com qual mixagem.
- Backline: instrumentos e amplificadores que o artista espera encontrar no local.
- Luz e vídeo: mapa de luz, efeitos, projeção e telão, quando houver.
- Energia e estrutura: pontos de energia no palco, tensão, praticáveis e medidas mínimas do palco.
- Horários: tempo de carga, montagem, passagem de som e desmontagem.
- Camarim: o que o elenco precisa antes e depois de subir ao palco, que muitos artistas separam num rider de camarim.
Tudo com a data da versão no rodapé. Rider desatualizado causa problema no dia: a formação muda, o show ganha um instrumento, e o documento enviado continua o antigo.
Cena 3Mapa de palco: como desenhar
O mapa de palco é um desenho visto de cima, com a plateia na parte de baixo da folha. Ele mostra onde fica cada integrante, cada instrumento, cada retorno e cada ponto de energia. Não precisa de programa especial: retângulos, círculos e legendas resolvem, desde que as posições e os nomes batam com a input list. Passe o mouse ou toque na legenda para acender cada peça do exemplo.
Três detalhes evitam confusão: numere os retornos e repita os números na lista de monitoração; marque os pontos de energia com a sigla AC, de corrente alternada; e escreva as medidas mínimas de palco que o show precisa, em metros.
Cena 4Input list: modelo de lista de canais
A input list diz ao técnico quantos canais a mesa precisa e o que entra em cada um. Abaixo, um modelo para a mesma banda do mapa. Troque as linhas conforme a sua formação e mantenha a numeração que o seu técnico usa.
| Canal | Fonte | Microfone ou linha | Pedestal |
|---|---|---|---|
| 1 | Bumbo | Microfone dinâmico para bumbo | Baixo |
| 2 | Caixa | Microfone dinâmico | Garra ou baixo |
| 3 | Chimbal | Microfone condensador | Baixo |
| 4 | Tom | Microfone dinâmico | Garra |
| 5 | Surdo | Microfone dinâmico | Garra |
| 6 | Overhead esquerdo | Microfone condensador | Alto, com girafa |
| 7 | Overhead direito | Microfone condensador | Alto, com girafa |
| 8 | Baixo | Direct box | Sem pedestal |
| 9 | Guitarra | Microfone dinâmico no amplificador | Baixo |
| 10 | Teclado, lado esquerdo | Direct box | Sem pedestal |
| 11 | Teclado, lado direito | Direct box | Sem pedestal |
| 12 | Voz principal | Microfone dinâmico de mão, sem fio se o artista circular pelo palco | Alto, reto |
| 13 | Voz de apoio da guitarra | Microfone dinâmico | Alto, com girafa |
| 14 | Voz de apoio do teclado | Microfone dinâmico | Alto, com girafa |
| 15 | Trilha ou base | Direct box estéreo ou saída do computador | Sem pedestal |
| 16 | Fala da produção | Microfone sem fio, para avisos e apresentação | Sem pedestal |
Na monitoração, liste cada via com o número do mapa e o que ela precisa ouvir. Por exemplo: M1, voz principal, com voz e teclado; M2, baixo, com bumbo e voz; M3, guitarra, com voz e guitarra; M4, teclado, com voz e teclado; M5, bateria, com baixo e voz.
Cena 5Rider de som: mesa, PA e monitoração
Quando alguém pede o rider de som, está pedindo a parte do documento que o técnico da casa lê: a mesa, o sistema de PA e a monitoração. Essas três linhas resolvem quase toda discussão de palco.
- Mesa: informe o número mínimo de canais de entrada e de vias auxiliares, não apenas o modelo preferido. Pedir uma mesa específica fecha porta em cidade pequena. Pedir mesa digital com 32 entradas e 8 auxiliares é atendível em qualquer praça.
- PA: descreva pelo público estimado e pelo formato do espaço, com a exigência de cobertura homogênea da primeira à última fila. Teatro fechado, quadra e praça pedem sistemas diferentes para o mesmo show.
- Monitoração: diga quantas vias independentes o show precisa, quem usa cada uma e o que cada pessoa precisa ouvir. Via de retorno sem dono é a origem da passagem de som que não termina.
Separe o que é caixa de retorno de chão e o que é in ear. Se a banda leva o próprio sistema de in ear, escreva isso, porque muda o que o contratante precisa alugar e muda o tempo de montagem.
Cena 6Backline, luz e vídeo
Backline é o que fica no palco e não é do som da casa: amplificadores, bateria, teclados, estantes e bancos. A regra é separar em duas listas, porque é isso que o contratante usa para orçar.
- O que o artista leva: instrumento próprio, pedaleira, in ear, cabo específico.
- O que é pedido ao contratante: amplificador de guitarra e de baixo, bateria completa com pratos e ferragens, banco, estantes de partitura, cadeira para quem toca sentado.
Na luz, o essencial é o mapa e o combinado de quem opera. Se o show tem marcação de luz por música, diga se vai operador próprio ou se a casa opera a partir de um roteiro escrito. Em vídeo, o que trava o dia é o conector: informe a entrada de sinal e quem leva o cabo, porque projetor ligado em computador sem adaptador é problema de cinco minutos antes de abrir a casa.
Cena 7Rider de camarim e horários do dia
Muitos artistas separam o rider de camarim do rider técnico, e faz sentido: quem lê um não é quem lê o outro. O de camarim é curto e objetivo: quantos camarins, com espelho, ponto de energia e banheiro, água, alimentação, toalhas e as restrições alimentares de quem está na estrada.
Os horários do dia são a parte que mais evita atrito, e a que mais gente esquece de escrever:
- Carga e descarga, com quantas pessoas da equipe local.
- Montagem de som, luz e cenário.
- Passagem de som, com duração real, não otimista.
- Palco liberado antes da abertura da casa.
- Apresentação, com duração.
- Desmontagem e saída do equipamento.
Horário escrito é o que permite ao espaço dizer de antemão que a passagem não cabe na agenda, em vez de descobrir isso com a plateia na porta.
Cena 8Rider de teatro, stand-up e palestra
No teatro, o rider técnico de palco pesa mais na luz e no cenário do que no som. Ele costuma trazer:
- Planta de palco e cenário, com medidas, peso das peças e tempo de montagem.
- Mapa de luz, com varas, refletores, filtros e o que precisa estar afinado antes da chegada da companhia.
- Som, com trilha, microfones de lapela ou headset e quem opera.
- Carga e descarga, com tamanho do veículo e acesso ao palco.
- Equipe local pedida: maquinistas, eletricista, operadores de luz e de som, camareira.
- Camarins, com quantidade, espelho, arara e água.
Stand-up pede pouco, e justamente por isso o pouco precisa estar certo: microfone com fio de reserva, pedestal, luz de palco que não ofusque o artista, banqueta e água. Palestra acrescenta telão ou projeção, retorno do slide para quem fala, passador de slides, microfone sem fio de reserva e um horário de teste com o arquivo final.
Cena 9O que é indispensável e o que pode ser adaptado
Nem todo palco tem tudo, e rider que não abre espaço para conversa trava a contratação. Separe os itens em três grupos e escreva o grupo ao lado de cada linha:
- Indispensável: sem isso a apresentação não acontece. Por exemplo, os canais de voz, a medida mínima do palco e a energia.
- Preferencial: o artista prefere, mas aceita equivalente combinado antes. Por exemplo, o modelo do amplificador.
- Adaptável: dá para resolver no local. Por exemplo, a posição do camarim ou o tipo de pedestal.
Escreva também quem decide a adaptação, com nome e telefone, que costuma ser o técnico do artista. O rider diz o que a apresentação precisa, e o contrato de show diz quem providencia e quem paga cada item. Deixe essa divisão escrita antes da data.
Cena 10Antes de enviar o rider
- Data da versão e formação atualizadas.
- Mapa de palco e input list com os mesmos nomes e números.
- Contato do técnico responsável, com telefone.
- Horários de carga, montagem e passagem que cabem na agenda do espaço.
- Arquivo em PDF, com nome que diga artista, espetáculo e data.
- Rider de camarim separado, se houver.
- Confirmação por escrito da produção local sobre o que o espaço tem e o que será alugado.
Somos o braço local de artistas, companhias e produtoras que levam show, espetáculo ou palestra para outra cidade. Recebemos o rider, escolhemos, negociamos e dirigimos a equipe técnica local e respondemos por ela no dia, em qualquer cidade do Brasil. Fizemos, por exemplo, a produção e a divulgação do Música para Todos, lives mensais de maio a dezembro de 2020 no Sesc Palladium, com Henrique Portugal, Roberta Campos, Borba, Exodus e Nêga Kelly.
Luciana LeitteDirige a LL Cultural. Produtora cultural e estrategista de marketing, soma 17 anos de mercado, no marketing e na produção, entre shows, temporadas de teatro, festivais e eventos. Conheça quem dirige.
Contar meu projeto




