Quem já chegou num teatro ou num palco de festival e encontrou menos microfones do que precisava sabe o valor de um rider bem feito. O documento evita discussão no dia, deixa o orçamento do contratante mais preciso e mostra profissionalismo antes da primeira nota. Este guia mostra o que colocar, como desenhar o mapa de palco, traz um modelo de lista de canais e explica o que muda no teatro e na palestra.
Cena 1Para que serve o rider técnico e quem lê
O rider é lido por pessoas diferentes, e cada uma procura uma coisa nele:
- O contratante ou produtor, que orça equipamento, equipe técnica e horário de palco a partir dele.
- O técnico de som, que prepara a mesa, os microfones, os cabos e a monitoração.
- O iluminador, que confere o que o espaço tem e o que precisa ser alugado.
- A produção local, que organiza carga, camarim, alimentação e a grade de horários do dia.
Cena 2O que vai dentro de um rider técnico
- Capa com contatos: nome do artista ou do espetáculo, data da versão, contato do produtor e do técnico responsável.
- Formação: quem sobe ao palco e com qual instrumento ou função.
- Mapa de palco: o desenho de onde cada pessoa e cada equipamento ficam.
- Input list: a lista de canais de som, com o microfone ou a linha de cada um.
- Monitoração: quantas vias de retorno, de que tipo e com qual mixagem.
- Backline: instrumentos e amplificadores que o artista espera encontrar no local.
- Luz e vídeo: mapa de luz, efeitos, projeção e telão, quando houver.
- Energia e estrutura: pontos de energia no palco, tensão, praticáveis e medidas mínimas do palco.
- Horários: tempo de carga, montagem, passagem de som e desmontagem.
- Camarim: o que o elenco precisa antes e depois de subir ao palco, que muitos artistas separam num rider de camarim.
Tudo com a data da versão no rodapé. Rider desatualizado causa problema no dia: a formação muda, o show ganha um instrumento, e o documento enviado continua o antigo.
Cena 3Mapa de palco: como desenhar
O mapa de palco é um desenho visto de cima, com a plateia na parte de baixo da folha. Ele mostra onde fica cada integrante, cada instrumento, cada retorno e cada ponto de energia. Não precisa de programa especial: retângulos, círculos e legendas resolvem, desde que as posições e os nomes batam com a input list. Passe o mouse ou toque na legenda para acender cada peça do exemplo.
Três detalhes evitam confusão: numere os retornos e repita os números na lista de monitoração; marque os pontos de energia com a sigla AC, de corrente alternada; e escreva as medidas mínimas de palco que o show precisa, em metros.
Cena 4Input list: modelo de lista de canais
A input list diz ao técnico quantos canais a mesa precisa e o que entra em cada um. Abaixo, um modelo para a mesma banda do mapa. Troque as linhas conforme a sua formação e mantenha a numeração que o seu técnico usa.
| Canal | Fonte | Microfone ou linha | Pedestal |
|---|---|---|---|
| 1 | Bumbo | Microfone dinâmico para bumbo | Baixo |
| 2 | Caixa | Microfone dinâmico | Garra ou baixo |
| 3 | Chimbal | Microfone condensador | Baixo |
| 4 | Tom | Microfone dinâmico | Garra |
| 5 | Surdo | Microfone dinâmico | Garra |
| 6 | Overhead esquerdo | Microfone condensador | Alto, com girafa |
| 7 | Overhead direito | Microfone condensador | Alto, com girafa |
| 8 | Baixo | Direct box | Sem pedestal |
| 9 | Guitarra | Microfone dinâmico no amplificador | Baixo |
| 10 | Teclado, lado esquerdo | Direct box | Sem pedestal |
| 11 | Teclado, lado direito | Direct box | Sem pedestal |
| 12 | Voz principal | Microfone dinâmico de mão, sem fio se o artista circular pelo palco | Alto, reto |
| 13 | Voz de apoio da guitarra | Microfone dinâmico | Alto, com girafa |
| 14 | Voz de apoio do teclado | Microfone dinâmico | Alto, com girafa |
| 15 | Trilha ou base | Direct box estéreo ou saída do computador | Sem pedestal |
| 16 | Fala da produção | Microfone sem fio, para avisos e apresentação | Sem pedestal |
Na monitoração, liste cada via com o número do mapa e o que ela precisa ouvir. Por exemplo: M1, voz principal, com voz e teclado; M2, baixo, com bumbo e voz; M3, guitarra, com voz e guitarra; M4, teclado, com voz e teclado; M5, bateria, com baixo e voz.
Cena 5Rider de teatro, stand-up e palestra
No teatro, o rider técnico de palco pesa mais na luz e no cenário do que no som. Ele costuma trazer:
- Planta de palco e cenário, com medidas, peso das peças e tempo de montagem.
- Mapa de luz, com varas, refletores, filtros e o que precisa estar afinado antes da chegada da companhia.
- Som, com trilha, microfones de lapela ou headset e quem opera.
- Carga e descarga, com tamanho do veículo e acesso ao palco.
- Equipe local pedida: maquinistas, eletricista, operadores de luz e de som, camareira.
- Camarins, com quantidade, espelho, arara e água.
Stand-up pede pouco, e justamente por isso o pouco precisa estar certo: microfone com fio de reserva, pedestal, luz de palco que não ofusque o artista, banqueta e água. Palestra acrescenta telão ou projeção, retorno do slide para quem fala, passador de slides, microfone sem fio de reserva e um horário de teste com o arquivo final.
Cena 6O que é indispensável e o que pode ser adaptado
Nem todo palco tem tudo, e rider que não abre espaço para conversa trava a contratação. Separe os itens em três grupos e escreva o grupo ao lado de cada linha:
- Indispensável: sem isso a apresentação não acontece. Por exemplo, os canais de voz, a medida mínima do palco e a energia.
- Preferencial: o artista prefere, mas aceita equivalente combinado antes. Por exemplo, o modelo do amplificador.
- Adaptável: dá para resolver no local. Por exemplo, a posição do camarim ou o tipo de pedestal.
Escreva também quem decide a adaptação, com nome e telefone, que costuma ser o técnico do artista. O rider diz o que a apresentação precisa, e o contrato diz quem providencia e quem paga cada item. Deixe essa divisão escrita antes da data.
Cena 7Antes de enviar o rider
- Data da versão e formação atualizadas.
- Mapa de palco e input list com os mesmos nomes e números.
- Contato do técnico responsável, com telefone.
- Horários de carga, montagem e passagem que cabem na agenda do espaço.
- Arquivo em PDF, com nome que diga artista, espetáculo e data.
- Rider de camarim separado, se houver.
- Confirmação por escrito da produção local sobre o que o espaço tem e o que será alugado.
Somos o braço local de artistas, companhias e produtoras que levam show, espetáculo ou palestra para outra cidade. Recebemos o rider, escolhemos, negociamos e dirigimos a equipe técnica local e respondemos por ela no dia, em qualquer cidade do Brasil. Fizemos, por exemplo, a produção e a divulgação do Música para Todos, lives mensais de maio a dezembro de 2020 no Sesc Palladium, com Henrique Portugal, Roberta Campos, Borba, Exodus e Nêga Kelly.
Luciana LeitteDirige a LL Cultural. Produtora cultural e estrategista de marketing, soma 17 anos de mercado, no marketing e na produção, entre shows, temporadas de teatro, festivais e eventos. Conheça quem dirige.
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