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Artigo · Palco

Mapa de palco: como fazer o seu, com exemplo para explorar

Mapa de palco é o desenho do palco visto de cima, em uma página, com o fundo do palco na parte de cima da folha e a plateia na parte de baixo. Ele mostra onde fica cada integrante, o que fica no chão, os retornos numerados e os pontos de energia, e segue como anexo do rider técnico. Quem lê é a equipe técnica da casa, que monta o palco antes de o artista chegar. Não precisa de programa caro nem de desenho em três dimensões: retângulo, círculo e legenda resolvem, desde que os números dos retornos e os nomes dos instrumentos batam com a lista de canais. Abaixo tem um exemplo para explorar, o passo a passo para desenhar o seu e os erros que mais aparecem na montagem.

  • Por Luciana Leitte
  • Publicado em
  • Leitura 9 minutos
Show noturno visto da plateia, com luzes vermelhas cruzando o teto e o público de braços erguidos
O que a plateia vê de frente, a equipe técnica monta de cima. Imagem de Nathan Collier, Unsplash

Um mapa de palco bem feito economiza as duas horas mais caras de uma apresentação: as duas horas antes da passagem de som. Com o desenho em mãos, a equipe técnica da casa monta o palco já no lugar certo, puxa a quantidade certa de cabo e deixa a energia onde o equipamento vai estar. Sem ele, monta pelo padrão da casa e desmonta quando o artista chega. Este guia é o complemento visual do rider técnico: lá está o documento escrito, aqui está o desenho que o acompanha.

Cena 1Quem lê o mapa de palco e o que decide com ele

O mapa não é ilustração de proposta. É ferramenta de trabalho de quatro pessoas, e cada uma tira dele uma decisão diferente.

  • O técnico de PA conta de quantos canais vai precisar e vê de onde sai cada cabo até a mesa.
  • O técnico de monitoração vê quantas vias o palco pede e onde cada caixa de retorno aponta.
  • O técnico de luz descobre quem fica na frente e quem fica no fundo, e desenha a luz por área.
  • A equipe de palco decide onde entra o praticável, por onde passa o multicabo e quantos pontos de energia puxar.

Por isso o mapa cabe em uma página. Duas páginas viram duas versões em pouco tempo, e na montagem alguém vai estar com a errada na mão.

Cena 2Os oito itens que todo mapa de palco precisa ter

Mapa incompleto gera telefonema, e telefonema no dia do show custa caro. Estes oito itens fecham o assunto:

  1. Orientação declarada. Escreva, com letra legível, onde é o fundo do palco e onde é a frente. A convenção é fundo em cima e plateia embaixo, mas escrever elimina a dúvida.
  2. Medidas mínimas em metros. Boca de cena, profundidade e altura livre. Sem elas, ninguém consegue dizer se o show cabe no espaço.
  3. A posição de cada integrante, identificada pelo instrumento e não pelo nome da pessoa. Quem monta o palco não conhece a banda.
  4. O que fica no chão: amplificador, praticável, estante, banco, mesa, pedaleira, caixa de instrumento.
  5. Os retornos numerados, de M1 em diante, com o tipo de cada via. O número e o nome precisam ser os mesmos da input list do rider técnico: quando os dois discordam, a passagem de som vira investigação.
  6. Os pontos de energia, marcados com a sigla AC, e quantas tomadas cada ponto precisa ter.
  7. A legenda, explicando cada símbolo usado no desenho.
  8. O rodapé de identificação: artista, formato da apresentação, versão do mapa, data e contato de quem responde pela parte técnica.

Os dois últimos são os mais esquecidos e os que mais salvam. Legenda é o que permite a alguém de fora entender o desenho sem ligar para o artista, e o rodapé é o que impede que a casa monte o palco por um mapa de dois anos atrás.

Cena 3Exemplo de mapa de palco para explorar

O exemplo abaixo é de um grupo de samba e pagode com sete integrantes, em formação de roda, que é um dos arranjos mais difíceis de explicar por escrito e um dos mais fáceis de entender em desenho. Passe o mouse ou toque em cada linha da legenda para acender a peça no mapa.

Exemplo de mapa de palco de um grupo de samba e pagode com sete integrantes em formação de roda, visto de cima Fundo do palco Frente do palco · plateia Mesa da rodapercussão em volta Cavaco BanjoPandeiro TantãRepiqueSurdo Teclado M1 M2 M3 M4 M5 M6 AC AC AC AC
Exemplo ilustrativo, criado para esta página. Adapte ao tamanho da sua formação e ao palco de cada lugar.

Três leituras saem desse desenho sem que ninguém precise explicar nada. A primeira é que o palco precisa ter pelo menos oito metros de boca, porque a roda sozinha ocupa quatro e as pontas precisam de passagem. A segunda é que o teclado fica fora da roda, o que significa cabo mais longo e um ponto de energia próprio. A terceira é que são seis vias de monitoração, não sete, porque dois integrantes dividem um retorno. Esse tipo de informação é o que o técnico da casa precisa para orçar antes do dia, e é exatamente o que uma lista escrita sem desenho não entrega.

Se a sua formação é de banda, com bateria, baixo, guitarra e teclado, o exemplo equivalente está no modelo de rider técnico preenchido, com os 16 canais e as cinco vias já listados bloco a bloco.

Cena 4Como desenhar o mapa de palco, passo a passo

A ordem abaixo é a que usamos para montar o mapa de um artista que ainda não tem o documento. Ela leva de uma a duas horas na primeira vez e dez minutos nas atualizações seguintes.

  1. 1
    Fotografe o ensaio de cimaRegistre como o grupo se posiciona de verdade. Uma foto do ensaio tirada de um ponto alto resolve mais do que meia hora de conversa, porque o arranjo real quase nunca é o que se descreve de memória.
  2. 2
    Desenhe o retângulo e escreva as medidasComece pelo palco, não pelos músicos. Retângulo, a linha da frente destacada e as medidas mínimas em metros escritas ao lado. Quem lê precisa da escala antes das posições.
  3. 3
    Posicione do fundo para a frenteBateria ou percussão primeiro, porque é o que menos se move. Depois os amplificados, depois as vozes e o que fica na boca de cena. Essa ordem evita o desenho em que alguém fica sem lugar.
  4. 4
    Marque tudo que ocupa chãoAmplificador, praticável, estante, banco, pedaleira, mesa. É o que define por onde o cabo passa e por onde ninguém passa.
  5. 5
    Numere os retornosDe M1 em diante, começando pela voz principal e seguindo da frente para o fundo. Anote o tipo de cada via e quem usa qual.
  6. 6
    Marque energia e a chegada do multicaboCada ponto com a sigla AC e o número de tomadas. Indique de que lado o multicabo entra, porque isso muda a metragem de cabo que a casa separa.
  7. 7
    Feche com legenda e rodapéLegenda com todos os símbolos, e rodapé com artista, formato, versão, data e contato técnico. Exporte em PDF com nome de arquivo que diga as mesmas coisas, para ele não virar anônimo na caixa de quem recebe.

Sobre ferramenta, a resposta curta é que não importa. Editor de apresentação, editor de desenho online gratuito e até papel quadriculado fotografado com luz boa produzem um mapa aceito em qualquer casa. O que importa é sair legível em PDF, caber em uma página e existir em formato editável, para a próxima versão não começar do zero.

Cena 5Símbolos e legenda: o combinado que evita telefonema

Não existe norma oficial de símbolo de mapa de palco no Brasil, e é justamente por isso que a legenda é obrigatória. O conjunto abaixo é o mais usado no mercado e o que adotamos nos nossos documentos.

Símbolos usados no mapa de palco
SímboloRepresentaO que escrever junto
CírculoIntegrante em pé ou sentadoO instrumento, não o nome da pessoa
Retângulo médioEquipamento no chão: amplificador, praticável, mesaO que é e a medida, quando ela importa
Retângulo pequeno inclinadoCaixa de retorno no chãoO número da via, de M1 em diante
Quadrado com a sigla ACPonto de energiaQuantas tomadas e para que equipamento
Triângulo ou losangoEntrada e saída de cenaPor onde a equipe e o elenco entram
Linha tracejadaCaminho de cabo ou limite de áreaDe onde até onde, quando não é óbvio

Dois cuidados valem mais do que o desenho inteiro. Use o mesmo símbolo para a mesma coisa em todo o mapa, sem exceção. E se inventar um símbolo próprio, coloque na legenda: símbolo sem legenda não serve para quem não estava na reunião.

Cena 6Mapa de banda, de DJ, de voz e violão e de teatro

O desenho muda de um formato para outro.

  • Banda e grupo de samba. O mapa é o caso completo: posição de cada integrante, amplificadores, praticável, retornos numerados e energia. É o formato do exemplo desta página.
  • DJ e apresentação eletrônica. O desenho é simples e as medidas são tudo. Marque a largura e a altura da mesa de apoio, se ela é da casa ou do artista, quantas tomadas o ponto precisa e onde fica o retorno. Diga também qual equipamento é levado e qual é esperado no local, porque nesse formato a confusão quase sempre está aí.
  • Voz e violão, voz e piano, stand-up e palestra. Mesmo com uma pessoa só no palco, o mapa vale a página. Ele resolve onde fica o banquinho, a estante, o pedestal, a mesa de apoio e o retorno, e evita que a casa monte um palco de banda para uma apresentação intimista.
  • Teatro e espetáculo. Aqui o mapa convive com a planta de cenário e com o mapa de luz. Indique o que é fixo e o que se move durante a apresentação, as entradas e saídas de cena e o espaço de coxia necessário. Em temporada, acrescente o que fica montado entre sessões.

Em todos eles a pergunta é a mesma: o que precisa estar pronto antes de o artista subir.

Cena 7Os seis erros que mais aparecem

Estes são os problemas que encontramos com mais frequência quando recebemos o mapa de um artista que vem de fora:

  • Mapa sem orientação. Sem dizer onde é a frente, metade das chances é de montar espelhado.
  • Posição por nome de pessoa. "João" não diz nada a quem está montando o palco às sete da manhã.
  • Retorno sem número. Caixa desenhada sem via identificada obriga o técnico a adivinhar a mistura.
  • Mapa sem medida. Desenho bonito e sem metro não permite dizer se o show cabe no espaço.
  • Mapa desatualizado. Formação mudou, mapa não. É o erro mais caro, porque ninguém desconfia dele até a montagem.
  • Mapa só em imagem de celular, de lado e escuro. O conteúdo pode estar certo e ainda assim não ser lido. PDF em uma página, na horizontal, resolve.

Os dois primeiros e o último são erros de forma, e se consertam em dez minutos. O do mapa desatualizado é de processo: a solução é guardar o arquivo editável em um lugar só, com versão e data no rodapé, e atualizar no mesmo dia em que a formação muda.

Cena 8Como enviar o mapa e com quanta antecedência

Envie em PDF, em uma página, junto com o rider técnico e a input list, com pelo menos 15 dias de antecedência. Nomeie o arquivo com artista, formato e versão. E peça a confirmação por escrito do que o espaço tem e do que será alugado: é esse retorno que fecha o assunto, não o envio. Quem paga cada item não entra no mapa, entra no contrato de apresentação.

Na LL Cultural fazemos as duas pontas. Desenhamos o mapa, a input list e o rider de quem ainda não tem o documento, e entregamos o arquivo editável para o artista manter atualizado. Como produção local de festivais e eventos culturais e de temporadas e turnês de teatro, recebemos o mapa de quem chega de fora, conferimos contra o que o espaço oferece, cotamos o que falta na praça e dirigimos a equipe técnica no dia. São 17 anos de mercado, no marketing e na produção, com mais de 500 projetos artísticos produzidos, e a conta que mais se repete é esta: o documento feito com antecedência custa poucas horas, e a falta dele custa aluguel de última hora.

Henrique Portugal ao teclado em live do projeto Música para Todos, com banda e luz de palco
Artigo · PalcoRider técnico: o que é e como fazerO documento completo em 15 blocos, com a lista de canais e a monitoração.
Luciana Leitte em dia de evento, com rádio na mão

Luciana LeitteDirige a LL Cultural. Produtora cultural e estrategista de marketing, soma 17 anos de mercado, no marketing e na produção, entre shows, temporadas de teatro, festivais e eventos. Conheça quem dirige.

Perguntas frequentes

O que perguntam sobre o mapa de palco.

Tem uma apresentação marcada e nenhum mapa pronto? Pergunte no WhatsApp. Respondemos em até 24 horas úteis.

O que é um mapa de palco?

É o desenho do palco visto de cima, em uma página, com o fundo do palco na parte de cima da folha e a plateia na parte de baixo. Ele mostra a posição de cada integrante, o equipamento que fica no chão, os retornos numerados e os pontos de energia. Serve para a equipe técnica da casa montar o palco antes de o artista chegar, e vai junto com o rider técnico e com a input list.

Como fazer um mapa de palco de graça?

Dá para fazer sem pagar nada e sem programa especial. Retângulo para o palco, círculo para cada integrante, retângulo pequeno para amplificador e retorno, mais uma legenda. Qualquer editor de apresentação, editor de desenho online gratuito ou mesmo papel quadriculado fotografado com luz boa resolve, desde que o arquivo saia legível em PDF e a numeração dos retornos bata com a lista de canais.

O mapa de palco e o rider técnico são a mesma coisa?

Não. O rider técnico é o documento escrito, com a formação, a lista de canais, a monitoração, o backline, a luz e os horários do dia. O mapa de palco é o desenho que mostra onde cada coisa fica. O mapa é um anexo do rider, e os dois precisam concordar: o retorno que o mapa chama de M3 tem que ser o M3 da lista de monitoração.

Precisa de mapa de palco em 3D?

Não precisa. Quem monta o palco trabalha com a vista de cima, porque é assim que se calcula passagem de cabo, posição de multicabo e distância até a tomada. O desenho em três dimensões impressiona na apresentação do projeto, mas na montagem costuma esconder medida. Se quiser usar os dois, mande a vista de cima como documento oficial e a imagem em três dimensões como material de apoio.

Como numerar os retornos no mapa de palco?

Numere de M1 em diante, começando pela voz principal e seguindo da frente para o fundo do palco. Escreva o mesmo número na lista de monitoração do rider e diga de que tipo é cada via, caixa de retorno no chão ou sistema de ponto no ouvido. Numeração que muda entre o mapa e a lista é a causa mais comum de retorno trocado na passagem de som.

A LL Cultural monta o mapa de palco?

Monta. Desenhamos o mapa de palco e a input list de artistas e companhias que ainda não têm o documento, e entregamos o arquivo editável para o artista atualizar quando a formação mudar. Como produção local, recebemos o mapa de quem chega de outra cidade, conferimos contra o que o espaço tem, cotamos o que falta e dirigimos a equipe técnica da praça no dia. Atendemos show, espetáculo, palestra e evento no Brasil inteiro.

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